domingo, 31 de agosto de 2014

Preletores para Diversas Ocasiões

Há quase 20 anos, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.
É impressionante como o pregador, nos últimos anos, se transformou em um produto. Há alguns meses, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão sugeriu, eu não serviria para pregar em uma vigília!
Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.
Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.
Conheçamos alguns tipos de pregadores e seus públicos-alvo:
Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como o famoso humorista do gênero stand-up comedy Chris Rock (que aparece na imagem acima). De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.

Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.

Pregador “de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” (note: entre aspas) anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica que é bom... quase nada!

Pregador “de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em humilhar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.
Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público a abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.

Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.

Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.

Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa “versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.

Pregador “massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar e milagreiro.

Pregador sem graçaÉ aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). Sua pregação tem bastante conteúdo, mas é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.

Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7)Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas também sabem que nunca poderão contar com ele...


Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada?

Autor: Pr. Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Domínio da Língua



Domínio da Língua
Leitura: Tg 3.2-18

Uma das áreas mais difíceis de dominar, mas de extrema necessidade para o crente, é a língua. Um órgão tão pequeno com tão grande poder. É como o leme de um grande navio, ou o freio que domina o cavalo.

O domínio próprio é parte do fruto do Espírito (Gl 5.22). Portanto, devemos buscar a capacidade do Espírito Santo para dominar a língua, com entendimento (Sl 32.9), pois o homem sem domínio próprio é como uma cidade sem muros, desprotegida (Pv 25.28). O que domina o seu espírito é melhor do que o que toma uma cidade (Pv 16.32).
O crente maduro não é o que sabe falar tudo, mas o que sabe falar só o que convém, na hora certa.
O religioso que não refrear a língua, a sua religião é vã (Tg 1.26). O crente cheio do Espírito Santo não é só o que fala em línguas, mas o que domina a sua língua!

A boca fala do que está cheio o coração

Aquilo que está no nosso coração transborda quando falamos e seremos julgados por nossas palavras (Mt 12.34-37)
O que sai da boca (procedente do coração) é o que contamina o homem (Mt 15.11, 17-19).
Quem habitará no tabernáculo de Deus, usa bem a língua (Sl 15.1-5).
A boca nunca será controlada se a mente (coração) não for (Pv 4.23). Pense em coisas boas (Fp 4.8) e você falará delas.
Muitos crentes só falam da vida alheia, da novela, do governo. Que será que está inundando seu coração? Será que o crente que medita dia e noite (Sl 1) na Palavra de Deus consegue falar desta maneira?

Devemos aprender a falar pouco

Quem fala muito, tem perturbações (Pv 13.3; 21.23). Sempre deixa escapar uma palavra que não gostaria, mas depois de lançada é como uma flecha atirada, não volta atrás.
Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Não seria para falarmos muito menos do que ouvimos?
Devemos estar prontos para ouvir e tardio para falar (Tg 1.19,26).
A palavra dita no tempo certo é preciosa (Pv 25.11)
Não devemos precipitar-nos com a boca. Há o tempo de falar e de ficar calado (Ec 5.2; 3.1,7; Pv 29.20; 12.18; 10.19; 17.27).
É melhor ficar calado do que falar tolice! Uma palavra só vale a pena ser dita, se ela for melhor que o silêncio.
Temos muitos exemplos de homens que se precipitaram, como Jefté, que prometeu oferecer a Deus a primeira pessoa que viesse lhe receber em casa (Jz 11.30,31) e cabou tendo que oferecer a própria filha!

Devemos falar coisas boas

O crente precisa ser fonte de águas doces, que abençoa, que traz uma palavra de ânimo, que fala com sabedoria e amor. Todos vão querer ouvi-lo. Muita gente não quer ouvir os crentes pregando o evangelho, pois sua mensagem só traz condenação. Jesus veio para salvar, não para condenar. A mensagem do evangelho é uma boa nova.
A sabedoria do Senhor: a minha língua falará coisas boas (Pv 8.6-8)
A nossa palavra deve ser temperada, equilibrada (Cl 4.6)
Palavra de edificação e que dê graça ao que ouve (Ef 4.29-32)
Refreie sua língua do mal (1 Pe 3.8-11; Sl 34.12-14)
Devemos evitar a mentira (Pv 12.22; 6.16,19; 11.9-13; Cl 3.8-10; Ap 21.27) e contenda.
Nem por brincadeira devemos fazê-lo (Pv 26.18,19)
Fofoca, contenda, difamação (1 Tm 3.11)
Não intrometido (1 Pe 4.15; 1 Ts 4.11)
Não mexeriqueiro (Lv 19.16; Pv 20.19) que vive fazendo fofoca. Isto é abominável aos olhos de Deus (Pv )
Deus purificou a boca de Isaías antes de usá-lo (Is 6.7)

Devemos ter cuidado com o que dizemos

Há poder nas palavras – poder de vida e morte (Pv 18.21). As palavras causam impressão forte e com elas podemos estimular vida nas pessoas, encorajá-las, ou podemos semear morte, desencorajando-as, amaldiçoando-as e diminuindo seu valor.
O que dizemos aos nossos filhos?
"Esse menino não tem jeito!"
"Essa menina não muda nunca!"
Cuidado para não agirmos como a galinha que bica seus próprios ovos, destruindo sua futura prole, pois a única maneira de fazê-la para com isto é queimando o bico!

Declaramos problemas para nós?
"Quanto mais oro, pior fica!"
"Vou acabar enlouquecendo!"
"Se continuar assim vou adoecer!"
Cuidado com o que dizemos, pois Deus nos ouve, como ouviu a Israel no deserto (Nm 14.2,28-32) e o inimigo procura meios de acusar-nos conforme nós falamos.

Sejamos profetas de Deus e não do diabo! Usemos nossa língua para edificar e não destruir!

Devemos falar com sabedoria e bom-senso (Pv 15.23; 25.11)
Devemos confessar o que cremos (2 Co 4.13; Ez 37.1-4; Rm 10.9,10)
Abençoe-se em Deus: declare a benção do Senhor sobre sua casa e sua família (Is 65.16-18)
Acredite e confesse: a mulher hemorrágica, apesar das suas muitas dificuldades, acreditou e confessou que Jesus tinha benção para ela (Mc 5.28).
Os crentes e o ministério devem ter palavra fiel, sem contradição (Mt 5.37; 1 Tm 3.8)

Devemos agradecer e não murmurar

Jesus ordenou: não murmureis (Jo 6.43). Aqueles que murmuraram são exemplos para nossa advertência (1 Co 10.9-11)
Não devemos murmurar, mas agradecer pelo que Deus tem nos dado (1 Pe 2.1,2).
A murmuração demonstra incredulidade e desonra a Deus.
Devemos dar ao Senhor ações de graças e não murmuração (1 Ts 5.18; Ef 5.20; Fp 4.6; 2.14,15).
Gratidão e não palavras torpes (Ef 5.3,4)
Elias no zimbro murmurou (1 Rs 19.4,5). Tantas bênçãos e vitórias, mas ele só soube murmurar!
Agradeça pelas pequenas coisas (Zc 4.10): o pão de cada dia, a saúde, o ar que respiramos, etc.
Recebe o salário e diz: "a mixaria", "a miséria". Diga: "a minha abençoada renda".

Não devemos julgar

Jesus nos advertiu: Não julgueis (Mt 7.1,2; Rm 2.1). Quando julgamos, nos colocamos na posição de juízes e acima daqueles a quem julgamos.
Não faleis mal uns dos outros. Somos juízes ou cumpridores? (Tg 4.11)
Tires o dedo que ameaça e não fale palavras vãs e o Senhor te abençoará (Is 58.9,13,14)
Escândalos virão, mas devemos perdoar que é nossa obrigação (Lc 17.1-10).
Existem duas palavras no grego que chamam nossa atenção: Diábolos (acusador) é usada para designar a obra do inimigo e Parákletos (ajudador) para falar da obra do Espírito Santo. Podemos fazer a obra do Espírito Santo, ajudando, encorajando, ou a do inimigo, apontando, acusando, julgando. É uma escolha pessoal.

Se tivermos dificuldades para dominar a língua, devemos orar como o salmista: "Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios" (Sl 141.3).


Autor: Pr. Kleber Maia

sábado, 24 de maio de 2014

A Lei da Palmada e o desafio cristão




Irmãos
estamos diante de uma situação delicada. Refiro-me ao Projeto de Lei 7.672 — também conhecido como a “Lei da Palmada” —, que desde 2010 tramitava no Congresso e foi aprovado na última quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Em resumo, é isso: os pais estarão proibidos de castigarem fisicamente os seus filhos. A invasão do estado (que é um governo) à soberania da esfera familiar (que também é um governo) caminha a passos cada vez mais galopantes em terra brasilis.

O apóstolo Paulo ensina que "toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17). Ora, se é verdade que "a Escritura não pode falhar" (João 10.35), então é fato que essa proibição absurda produzirá o que países como a Suécia — o primeiro a instituir uma Lei da Palmada, em 1979 — está experimentando: uma geração de crianças mimadas e mal preparadas para a vida adulta. E isso é o mínimo, pois sabemos que efeitos muito mais devastadores para a sociedade poderão decorrer daí (criminosos de toda espécie, por exemplo).

"A Escritura não pode falhar".

Provérbios 29.15 diz que "a vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”. Diz também que filhos corrigidos trazem “descanso” e “delícias” à alma dos seus pais ("Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” — Provérbios 29.17). A experiência sueca (e agora a do Brasil, daqui para a frente) poderia ser bem diferente caso esse preceito fosse aplicado.

A referida Lei tem o objetivo expresso de “estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante”. Mas vejam como a definição que a alínea I do Parágrafo Único dá a “castigos físicos” é elástica:
"Ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento ou lesão à criança ou ao adolescente”.
Vocês concordam que um simples segurar o filho pelo braço (que é uso da força física) e lhe dar umas broncas poderá ser enquadrado como castigo físico, uma vez que poderá resultar em “sofrimento” para a criança? OK, vocês podem até não concordar que poderá resultar (e, de fato, poderá mesmo não resultar). Mas o fato é que, para o estado, i-ne-vi-ta-vel-men-te resultará, não tenham dúvida. Muita coisa (para não dizer tudo) poderá resultar em sofrimento para a criança: bastará o estado definir o quê. Aparentemente, é por amor aos menores que esse tipo de lei é pensado. Mas a Escritura, que, lembrando, “não pode falhar”, diz que privar a criança do castigo físico é, na verdade, odiá-la: “O que retém a vara aborrece [no hebraico, odeia] a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13.24).

É evidente que não estou a defender aqui a violência contra as nossas crianças. Provérbios 19.18 alerta: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”. O fato de achar essa lei absurda não significa que a violência contra a criança não existe. Sim, ela existe, e eu mesmo conheço casos e mais casos de pais que se excedem no castigo que infligem aos seus filhos quase “a ponto de matá-los”. Mas o fato é que o disparate dessa gente é tanto que rebatizaram a então Lei da Palmada para “Lei Menino Bernardo”, em homenagem a Bernardo Boldrini, que foi covardemente assassinado pelo pai e pela madrasta. Ou seja, "o pai que dá um tabefe na bunda de um moleque mal educado é rebaixado à condição de potencial psicopata que pode eventualmente matá-lo e dar um sumiço em seu corpo", como bem colocou Guilherme Macalossi. Querem exemplo maior de loucura?

A bancada evangélica no Congresso resistiu, mas não foi suficiente: a lei foi aprovada com unanimidade de votos. O marxismo, em sua guerra contra a família, acaba de ganhar mais uma batalha. Os pais serão ameaçados pelos próprios filhos, como já pude ouvir de um irmão da igreja em que sirvo.
 
O desafio que temos pela frente é grande, pois quando o estado legisla contra a Palavra de Deus nós somos chamados a resisti-lo (cf. Atos 5.29). A Escritura diz que a criança não é o anjinho que o pensamento politicamente correto pinta. Pelo contrário, "a estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela" (Provérbios 22.15). Se de fato amamos as nossas crianças, deveremos desobedecer ao estado neste particular. Como está escrito, "não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno" (Provérbios 23.13-14). A única coisa que a Lei da Palmada fará é povoar o lugar que Deus preparou para o diabo e seus anjos.

Que Deus proteja as nossas famílias do deus-estado e nos dê a sabedoria necessária tanto para enfrentá-lo como também para educar as nossas crianças no Seu temor.

Amém!

Para discussão: desobedecer ao estado mesmo correndo o risco de perder a guarda da criança? Qual a alternativa diante desse risco e do risco de repetir a experiência sueca (que já é a experiência de muitas famílias brasileiras)?


fonte: http://opticareformata.blogspot.com.br/

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O comportamento do cristão em uma sociedade não cristã!

CINCO COISAS QUE EU NÃO GOSTARIA QUE ACONTECESSEM EM 2014!


1. O envolvimento de pastores com política partidária!


2014 é um ano eleitoral e a tendência é que a igrejas passem a ser cortejadas pelos políticos. Pastores devem pastorear e deixar para aqueles que foram chamados para a vida pública essa missão. Nunca devem permitir que seus púlpitos se transformem em palanque eleitoral. O púlpito é sagrado e dele deve sair a pregação inspirada e não o discurso inflamado! O pastor deve votar, mas jamais declarar em quem vai votar, pois se assim o fizer inevitavelmente criará partidos na igreja!. Sua missão deve ser de orientar o voto consciente, mas jamais por cabrestos em quem pensa diferente, afinal o voto é livre!


2. O mal uso do Facebook por parte dos cristãos!



Infelizmente muitos cristãos são de uma imprudência que beira a insensatez. Se fossem mais prudentes não falariam mal das suas igrejas; de seus pastores, afinal o que é privado não deve ser exposto ao público! Tem alguma coisa contra seu irmão ou contra pastor, então procure para conversar! Não deveriam também, por exemplo, expor seu nudismo, tais como fotos sensuais; sem camisa, etc. A privacidade de sua casa deve ficar com você, não interessa a ninguém, muito menos a mim! Evitariam postar toda fofoca que é veiculada na internet, principalmente os vídeos onde pastores, seja de que denominação for, foram flagrado fazendo sexo ilícito. Evitariam "curtir" sites pornográficos, quer seja de gays ou de mulheres nuas!

3. Igrejas se dividindo

Esse é um mal que afeta toda as denominações! Vivemos uma implosão de igrejas nunca vista antes na história. As razões são várias, desde o envolvimento de líderes com heresias; ou quando o líder não aceita ser corrigido quando comente um pecado moral; ou ainda quando determinado líder quer mais espaço e começa um processo litigioso com sua igreja de origem - é uma guerra por liderança. Nesse caso mais um grupo surgirá inevitavelmente, e inevitavelmente muitas pessoas ficarão ressentidas, magoadas e feridas. A igreja sofre!

4. Arminianos querendo ser calvinistas!

É uma incongruência quando um arminiano deseja virar um calvinista. É confusão na certa! Vou explicar! De uma forma bem simples, um arminiano é alguém que crê que o homem é livre para escolher - é aquilo que comumente chamamos de "livre-arbítrio"! A propósito, não é apenas um ensinamento bíblico, mas também jurídico e filosófico! Juridicamente e filosoficamente ninguém pode ser condenado ou inocentado se ele não possuísse uma moral livre! O conceito de moralidade é condicionado a uma vontade livre. Por outro lado, um calvinista não acredita dessa forma! Ele crê que alguns, independentemente de suas vontades de escolhas, já estão sentenciados - uns para a condenação e outros salvação. Não consigo entender como alguém que aceita o conceito de vontade livre pode querer ser um "Reformado" ou "Calvinista". A propósito, eu sou arminiano, pelo simples fato dessa doutrina ser bíblica!.

5. Pentecostais querendo ser cessacionistas!

Todo pentecostal crer ou deveria crer na atualidade dos dons! A maioria das igrejas históricas não creem na atualidade dos dons. Elas acreditam que os dons cessaram com os apóstolos, por isso mesmo não chamadas de cessacionistas! Com o advento do pentecostalismo no final do século 19 e início do século vinte essa crença cessacionista sofreu um duro golpe. Se defendeu como pode: acusando pentecostais clássicos de hereges; de endemoninhados, etc. Mas apesar desse fogo cruzado o pentecostalismo sobreviveu! Hoje são poucos os cristãos das igrejas históricas (leia-se tradicionais) que não acreditam na atualidade dos dons! Não aceitam as Línguas Desconhecidas (Estranhas) como prova do batismo no Espírito Santo, mas acreditam na sua existência (atualidade) hoje. Aqueles que não querem dar o braço a torcer, acreditando na atualidade dos dons, preferem acreditar na teoria do "normativo" e do "narrativo". Esse foi um artifício criado por John Stott em seu livro BATISMO E PLENITUDE para tentar rebater a crença pentecostal. Mas o livro de Stott possui aporias (contradições) que acabam anulando o seu argumento (veja um estudo detalhado que eu fiz sobre as posição de Stott em meu livro DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO, no capítulo intitulado: UMA RESPOSTA PENTECOSTAL).

Sou pentecostal, falo em línguas e quando o Senhor quer, as interpreto. Sou pentecostal, acredito em profecias e as vezes quando o Senhor quer profetizo também. Sou pentecostal e acredito na atualidade dos dons.

Autor: Pr. José Gonçalves http://pastorjosegoncalves.blogspot.com.br/